quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A escola dos meus sonhos






Uma escola precisa ter, em primeiro lugar, um portão de entrada bem grande, não uma portinhola por onde passam nossas pessoas físicas, mas um portão grande, que se abra por inteiro e deixe passar nosso ser por inteiro: a pessoa e os seus desejos, sua bagagem inteira.  Daí, quando você entra dá de cara com um enorme jardim, para chegar às salas de aula você precisa, necessariamente, passar por um jardim. Mas não é um jardim comum, é um jardim cheio de histórias. As árvores (sim, com árvores!) terão plaquinhas, mas não para colocar nomes científicos, terão plaquinhas com os nomes e as datas de quem as plantaram, alunos antigos, que queriam deixar ali uma coisa maravilhosa para os que iriam chegar. Porque as árvores são seres maravilhosos, mágicos....  E não se pode passar pelo jardim com pressa. Há que se maravilhar um pouco, olhar para os lados, ver que flores novas se abriram, que flores se foram com a mudança das estações. Passando pelo jardim os sonhos se acomodam nas mentes, as tristezas ficam mais apagadas, a vida começa a ter uma cor diferente.
Depois disso a sala de aula. Tal e qual o jardim: com marcas pessoais, carteiras que parecem confessionários, por onde passaram segredos, amores, saberes mil. Sentado ali o tempo é outro, os mistérios das ciências vão se revelando, as pessoas (alunos) vão se descobrindo engenheiros, cientistas, poetas, professores... as possibilidades existem, estão por ali, ao vento, ao alcance das mãos. Os dias vão se passando, a cada novo dia uma nova descoberta, um segredo revelado. Na sala de aula as pessoas se encontram, se resolvem, se abraçam, se emocionam. Ali dentro pode-se dar asas à imaginação, pode-se colorir qualquer vida, pode-se viver livremente, sem limitações, sem aborrecimentos maiores. Os limites de cada um se impõem, mas não para aborrecer, e sim para dar aos sonhos a matéria, a matéria viva e real de cada um, do que podemos ser. 
Saindo dali temos ainda a secretaria, a diretoria, a sala dos professores, a cantina. Precisa ter tudo isso? Não sei... mas tem. Tem um lugar só para os professores se encontrarem, guardarem suas coisas e ficarem leves, leves a caminhar com as outras pessoas, lado a lado... Ninguém fica muito tempo na sala dos professores, porque eles querem mesmo é se misturar, virar meninos de novo, colher flores, subir nas árvores, brincar um pouco com os outros. Quando não estão nas salas de aula ficam no jardim, na cantina. Onde houver um aluno há também professores, por quê? Porque simplesmente são pessoas que se gostam e por isso querem estar juntas. 
A diretoria é só para reuniões quase. A diretora também adora maças e está ali no pomar o tempo todo, a vigiar as suas árvores. Dali ela pode ver todas as salas de aula, todos os alunos e professores. Dali ela também pode resolver qualquer problema que aparecer, pode ver a cantina e as cozinheiras (lindas) trabalhando. Pode ver a portaria e também os banheiros, além do pátio da cantina.
Nas reuniões se discute como podem as pessoas que habitam aquela escola serem mais felizes. Como podem aprender mais e mais, sendo cada vez mais felizes. Estratégias, árvores, flores e poemas... tudo é matéria de reunião. Se algum aluno não vai bem precisamos ver o que está acontecendo com ele. Talvez precise passar mais tempo com as mãos na terra, talvez precise passar mais tempo colhendo as flores para levar às salas de aula... estratégias de purificação da alma... esse tipo de assunto intriga os professores. Eles estão a um passo de descobrir como ter alunos muito felizes e que ao mesmo tempo possam levar toda essa poesia, todo esse conhecimento para fora daquela escola maravilhosa.
Na cantina temos os mais diversos tipos de mesa: quadrada, redonda, oval. Todo tipo de formato. O professor de matemática adora a cantina! E a cantina continua nos jardins ao redor, tem bancos para podermos sentar e comer, e lugares para fazer um monte de lanche, sentados ao chão. As comidas são feitas por mãos amigas, com bons pensamentos e boas lembranças.... o que poderia ser mais saudável? 
E tem a tesouraria também. Um lugar onde o dinheiro pode servir para melhorar a vida de todos. O que entra é investido na escola: adubo, mais mudas, comidas, livros, muitos livros... 
Tem salas com computadores também. As pessoas gostam de saber como está o outro lado do mundo. Mas só um pouquinho, porque não dá tempo de ver tudo que acontece no mundo e ainda viver tanto! 
E tem um rio que passa pela escola. Ele chega cansado, mas sai da escola tão limpinha e feliz que não vê a hora de encontrar novas matas e desbravar novos terrenos.  O rio alegra as pessoas todas, o barulho do rio é o barulho que se ouve na hora de fazer as provas. 
Porque tem provas sim. Prova de tudo: de subir em árvore, de matemática e de português. E ninguém tem medo de prova. Todo mundo adora prova, porque os professores fazem as provas para os alunos acertarem tudo, para provar a eles do que são capazes, para que todos acreditem que poesia e jardim podem construir ruas e prédios, calcular pontes e cidades inteiras. As provas são boas e as pessoas gostam das provas, é a hora de trocar experiências, de aprender mais, de saber se o que foi aprendido está guardado dentro da gente ou se já se foi, voando com o vento. 
O portão de entrada é o mesmo da saída, mas ninguém tem problemas de confundir entrada com saída. Todo mundo leva essa escola no coração, por onde for.... 
 
 
Anete Formiga 
Doutoranda em Anatomia Vegetal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
 Autora de livro para crianças e com experiência no ensino básico.

“A Escola dos Meus Sonhos”







        
                Assistindo ao seriado Two and a half man, uns dos personagens “Jack”, que nas primeiras temporadas era uma criança capaz de entender e realizar tarefas melhor que seu pai Alan e seu tio Charle, tinham dificuldades na escola e em alguns episódios fica claro que o menino estava totalmente desestimulado em ir para o colégio ou em fazer suas tarefas. Entretanto, isso não é apenas ficção, basta olharmos em blogs, glogsters e sites de jovens e adolescentes que frequentam a sala de aula, a revolta e o desanimo expressos por eles através desses veículos de comunicação que por sinal são bons, e eles fazem por conta própria demonstrando sua capacidade de escrita, critica e criatividade o que pode estar sendo inibido em sala de aula. Portanto, é difícil entender porque esse sistema de educação continua, se os principais personagens dessa história não estão se dando bem e o mais interessante é que estamos tão engessados nesse sistema, que dificulta a implementação de novas ideias, entretanto, nada nos impede de sonhar com uma educação livre, emancipadora e efetiva de fato.  
            Sendo assim, a escola dos meus sonhos, teria uma hierarquia mais simples para organiza-la, onde os alunos e professores participam plenamente nas decisões a serem tomadas para formação e manutenção do sistema de ensino. Uma escola que ensinasse seus alunos a viverem, assim como os índios ensinam seus filhos a sobreviverem na selva, utilizando seus recursos naturais de maneira sustentável, ensinar a realizar tarefas como cozinhar, consertar algo, construir tecnologias, tocar um instrumento musical, aulas de teatro, fotografia, cantar, desenhar, pintar, valorizando o ser humano e sua cultura, ensinar seus alunos a compreender a importância de cada atividade ou profissão para manutenção e crescimento da sua cidade, uma escola onde os professores têm capacidade e liberdade de orientarem seus alunos com os conteúdos que acharem adequados, onde os professores se respeitem e se autovalorizem, onde o respeito, harmonia e trabalho em grupo de professor/professor, professor/aluno e aluno/aluno andasse de mãos dadas em um aprendizado mutuassem punições e ofensas, uma escola em que os alunos sejam unidos e que as piadas feitas em sala de aula sejam gracejadas por todos e não apenas por alguns.   
            Sonhar com uma escola que tenha uma estrutura aconchegante, cuja inspiração e a criatividade venham à mente só de estar presente nesta, onde os alunos possam personalizar seu espaço despertando a curiosidade de quem vê criatividade esta, que ultrapasse os muros da escola e refletem nas ruas, nas praças, enfim, em todos os cantos da cidade.
            Uma escola que não aprova e nem reprova, não existe avaliação por consequência nem a competição, uma escola que valorize as aprendizagens dos alunos, onde todos são responsáveis na educação de todos, com liberdade para os alunos desenvolverem ainda na escola habilidades que podem ser aprimoradas para que este assuma uma profissão. Porém, é difícil imaginar nosso mundo sem a competição, pois, muitos querem realizar a mesma atividade, talvez por amor ou por dinheiro, quem sabe seja por isso que a educação hoje tenha dificuldade de se soltar das raízes do tradicionalismo. Entretanto, é nos educando ao modelo das escolas dos nossos sonhos em que iremos nos emancipar quanto as nossas condutas perante a sociedade e a maneira em que vivemos nesta.
          Sendo assim, é evidente que a educação está intrinsicamente vinculada ao comportamento da humanidade, que por consequência tem o poder de transformar o mundo em que vivemos para o mundo em que sonhamos.



 
Diego Pimentel Venturelli
Estudante de graduação em Ciências Biológicas (Licenciatura) pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba MG. Já foi bolsista pelo Programa de Iniciação a Docência (PIBID) e de Iniciação Cientifica. Tem como área de interesse Tecnologia de Ensino e Aprendizagem e Ecologia Evolutiva de anuros


Nada Além De Um Sonho!!!





Eu tive um sonho e, vou te contar! Sonhei com uma escola exemplar!
A escola do meu sonho é uma escola diferente, tem pião, pula-se lá, e tem um jeito de ensinar que é só dela.
Na "minha" escola, os estudantes aprendem fazendo, são sempre convidados a observar, experimentar, veem a relação entre o conhecimento e a sua vida, não são meros ouvintes, mas produtores de conhecimento.
Os professores são orientadores apaixonados. Ao lerem uma poesia, fazem as emoções pairar no ar; ao indicarem um livro, conhecem como transformar um personagem num espelho e, ao mesmo tempo, em janelas. Conseguem mostrar como o passado perdura no presente e influencia o futuro - e o que "eu" tenho a ver com essa eterna passagem. Mostram que a gramática não é um amontoado de normas, mas meio de expressão. Ciência não se resume a fórmulas, ela é o encanto da metamorfose. Nessa "minha escola", arte e filosofia devem ter tanta importância quanto à língua portuguesa ou a matemática.
Na escola do meu sonho o entrosamento é tão grande que as carteiras deixam de ser riscadas, os banheiros permanecem sempre cheirosos e as salas, as dependências e o pátio nunca sujam.
Nesse lugar, as cores, finalmente, são entendidas e respeitadas. Os direitos são iguais a todos. As trocas de ideias sobre religiões são discutidas e ninguém diz mais que a sua crença é que é a certa, pois o objetivo é entender o pensamento diferente. Os pobres e os ricos são tratados da mesma maneira e aprendem.
A escola do meu sonho é bem grande, tão grande que atinge a dimensão das minhas curiosidades, os moldes das minhas necessidades de crescer. É um espaço acolhedor, onde eu me sinto bem em estar, sou recebido com carinho, respeitado como cidadão. Uma escola que me ajuda a dar asas ao meu desejo de aprender, que proporciona condições para desenvolver o meu potencial e oportunidades para expor minhas ideias, para aprender errando, discutindo; para encontrar nos estudos a estrutura para evoluir.
A escola do meu sonho não tem muros altos que escondem os horizontes do mundo, as cores, as flores, a vida. Não é aquela que, arbitrariamente, vê o aluno por um só prisma, mas o vê como um ser único e completo, em todas as suas facetas e façanhas, em todas as suas competências e habilidades. Não é aquela que utiliza o erro para punir, mas para avançar e faz deste erro um degrau para a aprendizagem.
A escola do meu sonho remunera bem e oferece condições para que seus educadores se atualizem e conheçam outros horizontes.
A escola do meu sonho encoraja, questiona, instiga, faz pensar, ser e acontecer. Os professores não ensinam, aprendem a aprender e auxiliam no aprendizado. Ocupa-se na busca de novos caminhos para auxiliar alunos e seguidores a se tornarem mais humanos, responsáveis, integrados e capazes de viverem em harmonia consigo mesmo e com os outros. Abre portas para os alunos e seus mestres enxergarem os horizontes e o que tem por detrás deles.
A escola do meu sonho está ligada ao prazer de apreender, repleta do lúdico, ligada à dança, à música, à poesia, à compreensão dos valores, lidando com as emoções, com as descobertas, buscando através das pesquisas o aprender a ser, a viver e a conviver. Lá se compartilham espaços, dividem-se ambientes, somam-se ensinamentos, vive-se em conjunto.
Na escola do meu sonho normalmente no outono, os alunos sentam-se calmamente no banco do jardim, e deliciam-se com a sinfonia do desfolhar das árvores. Ninguém tem pressa, ninguém corre de um lado a outro. O tempo flui como tarde descansada, como dia de férias, como colo de mãe. Tudo é feito a medida do homem e da criança.
Nesta escola não há gritos. O maior não grita com o menor, o menor não grita para chamar atenção. Os professores quando falam, falam com os olhos, com os gestos, com o corpo, com as mãos e principalmente com o olhar. O olhar atento de quem ama, e sabe que não há nada mais importante para o crescimento do que ser olhado como único, como pessoa especial.
Apenas mais um sonho!


 

Vânia Cristina da Silva Rodrigues
Professora do curso de Licenciatura em Matemática na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em Uberaba.



A escola dos meus sonhos





A escola dos meus sonhos em termos de edifício seria semelhante à casa muito engraçada de Vinicius de Moraes: não teria teto, não teria nada. É uma não-escola, com não-professores e não-alunos... E não-ensino e não-aprendizagem… Sem horários (exceto os das refeições) e com longos intervalos (apenas interrompidos pelas refeições!).
E o que acontece nesta não-escola? Nada que não possa acontecer numa escola. Os não-professores fazem as atividades típicas dos não-professores (e alguns até poderão dar lições!) e os não-alunos engajam-se nas tarefas típicas dos não-alunos (e alguns até poderão assistir às lições dadas por alguns dos não-professores!).
Na não-escola não há aulas obrigatórias, apenas voluntárias. Na não-escola não há tarefas para os não-alunos realizarem, apenas desejos e objetivos para serem concretizados. Na não-escola não há regras disciplinares a respeitar, apenas pessoas que respeitamos e que nos respeitam. Na não-escola não há leituras obrigatórias, apenas as voluntárias e prazerosas. Na não-escola não há notas azuis e vermelhas, não há aprovações, reprovações e progressões, apenas o que sabemos, o que não sabemos e que desejamos saber. Na não-escola os não-professores e os não-alunos não têm lugar marcado, apenas há a necessidade e o desejo de estar com os outros (seja qual for o motivo!). Na não-escola não há visitas de estudo seguidas de composições descritivas dessas visitas, apenas idas a locais aprazíveis e conversas com pessoas interessantes. E os não-alunos que quiserem escrever sobre a visita não estão proibidos de tal!
Um dia típico na não-escola é de um tipicismo difícil de descrever, porque os horários a cumprir incluem apenas as refeições (exceto nos dias de praia ou de passeio). Os não-professores e os não-alunos chegam à hora que quiserem (ou à hora combinada no dia anterior)… Não há campainhas para lembrar atrasos (exceto para as refeições!) ou para dividir o dia em pedaços melancolicamente sofridos… Não-professores e não-alunos entram e saem da escola ao sabor dos seus desejos e combinações e vão para casa à hora que lhes for mais conveniente… Em caso de impedimento para comparecer na escola, não-professores e não-alunos só comunicam esse impedimento por respeito e consideração com os outros não-seres.
A não-escola não é centrada nos professores, nem nos alunos, nem no ensino, nem na aprendizagem… É descentrada nisso tudo e centrada naquilo que é verdadeiramente importante: democracia, liberdade e felicidade… Onde todos contam igualmente, no respeito mútuo e sem subterfúgios. A não-escola tem como lemas “uma pessoa, um voto”, “a minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro” e “o direito à felicidade”… A não-escola não é uma escola de pernas para o ar: é apenas o que uma escola deveria ser!

Pedro Jorge Caldeira
Professor de educação a distância do Instituto Superior de Educação e Ciência (Lisboa).
Residente em Uberaba.


Procura-se uma escola da Cibercultura




Deve haver uma escola intergaláctica para o sonho de Lucas. Lucas é uma criança de noves anos que segue sempre arrastado para sua escola real. Até agora ele só frequentou duas escolas mas não sei por quantas ele ainda irá navegar.
Manheeee...vamos depressa, pois preciso descobrir um planeta! É sempre assim, uma pressa para os jogos, para conversar com os amigos do basquete e principalmente com os amigos virtuais em redes sociais, ao mesmo tempo está acompanhado do amigo imaginário. Os únicos momentos de lentidão e preguiça são: a hora do para casa e estudo e escrita nos livros impressos.
Então, tentarei descrever para você o que poderia ser mais prazeroso para este Lucas e tantos outros garotos e garotas da geração digital. Como poderia ser desenhada esta escola ou até mesmo um dia desta escola conectada ao ciberespaço.

INÍCIO DA MANHÃ
Após a higiene matinal, um momento nunca dispensado é o do lanche. Seria um lanche coletivo com frutas, sucos e espaços para o preparo de sanduíches naturais, ovos mexidos e leite. Uma dieta saudável faz bem para todos. A escolha seria livre e cada um deveria fazer o seu lanche com foco na autonomia e no poder de decisão. Em cada um dos ingredientes deixados na mesa haveria uma etiqueta digital com valores calóricos e com as combinações a serem realizadas na porta da geladeira conectada à web. As escolhas deveriam ser registradas no webfólio disponível para cada aluno com o seu login e senha.
No segundo momento da manhã, as crianças teriam em sua área de trabalho, em seus computadores móveis (tablets, notebooks ou ultrabooks) dicas de links para jogos já previamente selecionados. Estes jogos virtuais poderiam ser mediados entre os colegas em duplas e também entre os amigos virtuais.
A presença dos ícones dos jogos em sua área de trabalho poderia ser fruto de uma negociação entre os mediadores e também entre os pares (colegas de turma). O tempo para estes jogos dependeria da dupla e da proposta de cada tema discutido.
Após o momento do jogo, apareceria no webfólio da criança o tema do projeto já preestabelecido em conversas entre professores e turma de trabalho e pesquisa, assim, ele deveria aprofundar em uma leitura na tela, em uma pesquisa ágil de algum termo relacionado ao assunto e escreveria lá em seu webfólio, na parte do blog o que descobriu, quais os links indicados e que filmes e músicas poderíamos usara par aprofundar no assunto do projeto pessoal.
O final da manhã ficaria então para ouvir músicas, consultar fotos e imagens e assistir os filmes dos projetos coletivos e individuais de cada criança.

 PARADA PARA O ALMOÇO
No momento do almoço, na escola da cibercultura, a criança poderia optar entre encontrar os pais no trabalho e almoçariam com ele. A escola também estaria aberta para os almoços em famílias ou pique niques entre os colegas. Cada um, com um prévio planejamento desenvolveria à sua maneira as duas horas para preparo e almoço seja na escola, em casa ou no shopping próximo ao pai, mãe ou responsável. (Não me venha falar que isto só é possível para a classe média, pois já há shoppings e espaço gourmet em várias regiões centrais ou periféricas da cidade).  O objetivo deste momento aberto é de uma alimentação regada de afeto e com pessoas que a criança confie.

ESPAÇO TARDE
Na retomada dos trabalhos da tarde haveria um momento coletivo com lousas digitais e apresentações de dúvidas retiradas entre os colegas e os professores referência de cada turma. Normalmente, estas dúvidas surgiriam tanto da vivência quanto da escrita dos seus projetos de pesquisa e já estariam registradas em seus blogs para aprofundar e discutir com os professores orientadores.
A lousa digital também proporcionaria o acesso aos registros dos alunos, a bibliotecas e softwares que seriam utilizados coletivamente.
Até o lanche da tarde haveria muita discussão e a vivências mediadas pelos softwares e livros escolhidos no aprofundamento.
O lanche da tarde seria oferecido nos mesmos moldes do lanche do início da manhã com uma outra diferença de acordo com o dia e o tipo de evento para o final da tarde. Apresentação de desenhos digitais, de poesias eletrônicas, uma tarde de música eletrônica ou mesmo novas ideias de projetos.
Este final de tarde poderia ter um sarau, uma peça de teatro em ensaios ou apresentações, show de dança tudo fotografado para ser editado e remixado pelos próprios alunos. Assim aprenderíamos com o poder da mídia e a manipulação de imagens e fatos.
E com certeza, a noite não haveria choro nem vela para os afazeres de casa disponíveis no webfólio do Lucas que prontamente acessaria o seu dia, o seu roteiro e o que ainda falta para ser feito em sua pesquisa escolar de trabalho, com novas dúvidas e principalmente um trabalho em uma rede de conexões e sentido.


 

Luciana Zenha

Professora universitária há mais de quinze anos pela Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG no curso de Pedagogia. Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG pesquisa redes sociais e aprendizagem online e tecnologias educacionais.  Coordena produção de material didático em EAD. Tem como campo de interesse as tecnologias sociais e culturais, robótica e redes em formação.

A escola dos meus sonhos




O início do sonho desta escola já será descrever que a partir do momento em que me tornei professora por escolha e não por falta de opção já pensava em uma escola diferenciada. Durante muitos anos, trabalhei na perspectiva de projetos de ensino e pesquisa com alunos do primeiro ano da educação básica. Aprendi com crianças em momentos ímpares de plena curiosidade de todos, desde quando entrasse uma borboleta em nossa sala quanto um acontecimento inusitado em torno de um problema ou informação que nos interessasse de maneira dialógica e propositiva. Naquela época não havia internet, portanto, pedia sempre que a turma pesquisasse em revistas, jornais, livros e pessoas mais velhas sobre os assuntos coletivos de interesse comum a nossa turma.
Acontece que há uma estreita relação entre sociedade e a educação indica que transformações sociais demandam mudanças no espaço escolar. E um dos fatores que tentarei escrever é porque esta escola que temos, neste momento, não atende aos nossos filhos, alunos e todos, incluindo até mesmo aos docentes. 
Esta escola formal baseia-se em conteúdos elencados, sem uma estrutura hipertextual e ao menos hipermidiática deixou há tempos de fazer sentido. O abrir e fechar livros e cadernos por áreas e temas estanques não fará nenhuma diferença na atuação desta criança ou adolescente seja para a sua vida, para a academia ou mesmo para o mundo do trabalho.
Sonho com uma escola da mediação, com uma escola que perceba as perguntas individuais de cada aluno, que personalize a atuação e potencialize o que a criança e o adolescente tenham de melhor. Assim, fazendo-o descobrir e desvelar o seu potencial para a contribuição no coletivo e desenvolvimento de trabalhos em grupos articulados com as habilidades que cada um em sua diversidade apresenta. Mas e as outras habilidades, não serão trabalhadas? Só o potencial criativo e as inteligências serão otimizadas? Não? A partir do momento que descubro em cada um o que ele tem a contribuir, o desafiarei para aprender e a se  dedicar em suas brechas e possibilidades.
Uma metodologia da descoberta, do conhecimento interior e do potencial linkado e coletivo dos seres humanos. Esta escola precisará apresentar propostas e percursos de ensino e aprendizagens individuais e coletivos. Ora nos encontraremos para discussão dos projetos pessoais e ora teremos projetos coletivos para que todos contribuam com a proposta aberta, dialógica, empírica e baseada na práxis.
Bem, esta escola não tem que ter tantos aparatos tecnológicos não. Basta cadeiras confortáveis, paredes coloridas e abertas para serem registradas com observações, desenhos e filmes desenvolvidos pelos alunos, um computador ou tablet para cada criança e seus orientadores, um espaço verde com árvores frutíferas, horta e um lago natural e limpo. Um espaço fechado para os momentos de chuva e vento frio, mas o maior tempo em espaços abertos, embaixo de uma mangueira, trepados em galhos de jabuticabeiras, nadando juntos no lago com patos e peixes. Muitos momentos de lazer, de celebrações do aniversário, da conquista de finalizar o seu álbum de figurinhas ou mesmo de uma descoberta para o projeto de pesquisa (individual ou os projetos coletivos) das turmas. Horas a fio de apresentações pessoais e em grupo das pesquisas e o que fazer para continuar neste projeto ou mesmo desisti. Estas apresentações poderiam acontecer primeiramente para os pares e professores orientadores e depois para todos em plenárias, nos campos abertos do saber.
Estas turmas se organizariam em alguns momentos por idades, principalmente nos momentos de lazer e convivência, mas também estariam ao longo do dia em encontros por tema (sem pensar na idade, mas sim no tema interesse do turno ou do dia de trabalho). Cada um desenvolveria o seu plano de trabalho e os temas que participaria naquele dia. A orientação e a mediação aconteceriam aí, no momento das escolhas, nós professores faríamos a mediação e também desenvolveríamos os nossos projetos de pesquisa e apresentaríamos nossas descobertas.
As crianças e os jovens gostam de saber o que estamos lendo e quais são as nossas dúvidas. O que estudamos e como estudamos diariamente. Eles entendem os momentos de reclusão para a escrita de uma tese ao mesmo tempo apoiam quando pulamos com eles na cama em meio aos travesseiros e cobertas espalhados. As dúvidas são bem mais interessantes que as certezas. Sonho em uma escola com gente que pensa em um mundo melhor, mais humano, mais amoroso e fraterno.
Mas neste espaço também terá momentos de angústias, reprovações desistência de algum projeto, nada que nos impeça de recomeçar e de pensar diferente sobre o mesmo assunto, ou até mesmo abandonar o tema e partir para uma nova escolha consistente, entusiasmada e que nos faça sempre aprender e querer mais.
Uma dica de hipertexto para o meu texto: http://www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_EmzI Aprender a aprender.

 
Luciana Zenha
Professora universitária há mais de quinze anos pela Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG no curso de Pedagogia. Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG pesquisa redes sociais e aprendizagem online e tecnologias educacionais.  Coordena produção de material didático em EAD. Tem como campo de interesse as tecnologias sociais e culturais, robótica e redes em formação.

Sonho... por isso existe! Minha escola






Um dia, após o almoço sentei na varanda de casa e um pensamento invadiu minha cabeça. Se iniciasse hoje, minha vida escolar, o que seria diferente?  Ou continuaria na mesma?
Algum tempo atrás... chego na escola aos 7 anos, o pré escolar não existia, ingressei direto para  o ensino fundamental no 1º ano,  onde fui alfabetizada usando a cartilha “Caminho Suave”, não foi muito suave, mas consegui e nos anos seguintes prossegui a formação inicial até o 4º ano, foi difícil, mas consegui, passei pelo desafio da admissão para entrar no ginásio que seria o 5º ano. Há um tropeço, repeti o 6º ano , mas continuei , terminei o 8º ano.  Pensei! Qual profissão seguir?  Achava lindo ser professora, então optei por cursar o magistério, fiz os 3 anos, no Magistério me realizei, meu desempenho foi ótimo, estava formada.
Ufa! Uma etapa vencida, já podia trabalhar naquilo que tinha escolhido.
Adormeci, e um lindo sonho iniciou.
A escola que quero para os meus alunos, e comecei a pensar.... há tem que ser um lugar lindo, livre e feliz , onde cada um vai aprender o que quiser e da maneira que mais lhe der prazer, sem cartilha mas com as palavras que são do meu  mundo, do que vivo.
Quem gosta de ler vai ler, quem gosta de matemática vai resolver problemas, os que gostam de ciências vai fazer experiências, outros vão para o  teatro, o circo, a pintura, o  museu  e cada um vai aprender com suas diferenças.
A escola de cores vibrantes: sala azul turquesa, cozinha amarelo ouro, biblioteca verde limão, laboratório rosa choque, quadro onde a alegria a música permeia todas as atividades.
Os professores, que felicidade!!! Salário justo compatível com a jornada cumprida. Na carga horária estaria contemplada sua formação a dedicação às atividades complementares. Tempo para ser feliz e viver bem com a família sem ter que escolher cuidar bem da casa, dos filhos e do lazer ou enfiar a cabeça em várias jornadas, para dar uma vida digna aos filhos.
O professor só teria que cumprir uma jornada. É ter tempo de ir ao cinema, ler um livro, ler o jornal, sem pressa.
O gestor, ah, este iria se preocupar com a escola bem equipada, o espaço físico, as verbas, a merenda e os projetos.
Quando chegasse as verbas todos seriam consultados onde aplicar, o que  atende a todos.
 Um professor disse:
_ Assistindo no jornal do Sonho, uma escola na capital em parceria conseguiu lousa digital em cada sala, os professores usavam de maneira diversificada, fazendo as experiências e a geometria em 3D, mandar e receber email, fazendo teleconferência com o parceiro. Que gostaria de saber se o material contribuiu para o prazer dos alunos em estar na escola.
A resposta foi unânime, sim estamos muito orgulhos. E nossa escola também buscou parceria e consegui em pouco tempo as lousas digitais.
Os alunos ao chegar à escola, são recebidos pelos mais velhos que ajudava na descoberta do que querem fazer: brincar, conversar, e descobrir forma de aprender.
Para os amantes da leitura criamos um pé de livros, acho que já vi isto em algum lugar e deu certo, na minha escola, debaixo da um lindo Pau Brasil, bem no meio de um gramado fofo, com cheiro de relva molhada, ouvindo o canto dos pássaros, o zunido das abelhas, o barulho das borboletas e ate mesmo o som das formigas, vamos colhendo livros e nos divertido com as fabulas, os contos, os gibis, os jornais, as revistas, que festa!
No pátio com cores brilhantes temos amarelinha, jogos de roda, passar anel, pique esconde cabra cega em outros, mas nada de correria, gritos, brigas, tudo muito lento, mas divertido, parecendo que estamos flutuando nas nuvens, sabe, o professor também brinca e diverte com os alunos.
O lanche e colhido na horta que junto com o Senhor Pedro é plantado, aguado e ate colhido. Tem pomar com frutas, subimos no pé para colher laranja, jabuticaba, mexericas.
O Senhor Quinzinho tem uma pequena chácara a poucos quarteirões lá vive entre muitos animais, duas vaquinhas e dois bezerros, o Malhado e o Caramelo, são lindos e levados.
Na visita podemos trazer o leite para a merenda, que delicia leite direto do produtor ao consumidor.
Como é divertida a aula de bolinhas de sabão, primeiro fazemos o material para ser usando, enquanto brincamos, aprendemos grandes, médias, pequenas, altas, baixas e muitos outros conceitos, soltando as bolinhas de sabão.
Avaliação? Sim é claro que tem, mais são os resultados em forma de ações realizadas com prazer, quanto mais prazer, melhores os resultados.
E os registros? Sim temos cada um vai descrever seu aprendizado ou se precisar pode se repetir para entender o processo.
A mudança de turma ocorre sempre que venci desafios, após a realização de algumas ações definidas para aquela idade, e amadurecimento, sem esquecer que o prazer mora neste lugar.
No sonho me perguntava quais os resultados que teremos no final de uma década com esta escola.
E descobri que o mais interessante é que algumas formas de aprender por mais tempo que se passa, permanece igual, sabendo que muda o tempo, a geração, mas o professor será sempre o agente de transformação das novas gerações, cabe a ele o papel fundamental de tornar a escola um espaço de prazer.
Mesmo que muitos digam que o professor será substituído pelas novas tecnologias, isto só vai acorrer, se ele deixar de acreditar na sua força e no seu poder de motivação.
Qual não foi o meu espanto ao acordar e sentir que podemos ter na escola um lugar legal onde meus netinhos, sobrinhos, afilhados serão os novos usuários deste espaço em constante mudança.


Marta Correia
 Professora do Nucleo de Tecnologia Educacional de Uberaba- Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, trabalho na formação do professores da rede pública do Polo de Uberaba na  área de tecnologia da informações e comunicação -  A escola dos meus netos tem alguma coisa da escola que estudei ou será mera semelhança....